4 de agosto de 2010

Um 'Oh' e um 'Ah'

Ouvir Tom Zé... É como se a vida desse uma pausa. Um jorrar de lucidez em cada jogo de palavra, em letras sempre contundentes, que possuem uma dureza maleável, misto de inocência e maturidade, alegria e solidão.

Chegou a mim ainda pequena, ocupando a trilha de abertura de um programa da TV Cultura, com a música Politicar, que seria uma espécie de "hino" de sua poética, talvez o reflexo mais cristalino de sua sempre ácida e inteligente ideologia como artista. Àqueles tempos, ainda vivia minha meninice, que já beirava a pré-adolescência – isso em meados dos anos 1990, época em que as crianças ainda eram crianças, pasmem vocês.

Ela, a letra travessa, atravessou o horizonte, encontrando-me já maior de idade. Ele, o "atirador das ideias", instigou-me à reflexão. Era tarde e de nada adiantaria oferecer resistência: fui tomada por um amor platônico (não o "platônico" de acepção vulgar, mas aquele abstraído da conotação mundana. Falo do amor fundamentado no sentido da expressão de origem, a virtude).

Resolvi, então, criar este blog, O Tom do Zé, para expor minhas observações e estudos através da análise das letras de Tom Zé, compartilhando com vocês essa bela e saborosa fatia – felizmente salva – do bolo quase totalmente mofado que configura-se atualmente a música brasileira, e que surpreende-me por seu "frescor" a cada vez que mais um pedaço ouso provar.


"Criar é matar a morte." (Romain Rolland)


Um comentário:

  1. Que prazer saber que o amor da minha vida PENSA lucidamente... AVÔHAI!

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